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"O nome do conjunto já diz tudo: a rua como palco e o povo, como platéia - mas, sendo esse palco o Rio, mais precisamente Ipanema, o prazer está garantido, até para os músicos. O No Olho da Rua (Gustavo Schnaider, bateria; Paulo Rego, sax e flauta; Roberto Alves, piano; e Xandy Rocha, contrabaixo) pode ser visto desde 1997 ensolarando as calçadas do Leblon e da Lagoa e as Praças do Centro, mas seu pouso mais efetivo é o posto quase 10 de Ipanema, aos domingos, a partir das 10 da manhã. Entre suas proezas estão vibrantes versões de Tom Jobim, Baden Powell e Victor Assis Brasil, com improvisações pesadas, ao lado de temas de enorme delicadeza, sobre os quais já quase garantiram exclusividade: a valsa de Ary Barroso, "Sombra e Luz", nunca lançada comercialmente, e uma interpretação de "Cidade Maravilhosa", de André Filho, em que começam pela linda segunda parte e só depois fazem a primeira, ambas também em valsa, antes de atacar a clássica introdução em ritmo de marchinha.
"Contrariando o nome, o No Olho da Rua às vezes se apresenta também sob tetos convencionais, como o Centro Cultural Justiça Federal; na Avenida Rio Branco, o Carioca da Gema, na Avenida Mem de Sá, e o Mistura Fina, na Lagoa. Mas, por algum motivo, as bermudas, o sol a pino e o palco de areia lhes assentam como a ninguém". Ruy Castro, em seu livro "Rio Bossa Nova"
“Armadilha não é, mas, nestes tempos botocudos, o irresistível ‘quase’ torna-se sujeito da oração.
Quase. Afinal, de que outra forma pensar, e ser tentado a gracinhas, quando o nome de um conjunto
musical é No Olho da Rua? E ele está literalmente na dita situação, e nela cativa quantos o assistem,
sempre nas manhãs ipanemenses-domingueiras. Seus integrantes armam sua barraca na Avenida Vieira Souto,
entre as ruas Aníbal de Mendonça e Garcia D’Ávila. Então, em plena paz com o público de todas as cores
e modelos, instrumentos afinados, técnica apurada, sensibilidade à luz do sol, soa um repertório que
faz suíte com clássicos da bossa nova e sambas-canção que a música brasileira guarda como
históricos — “Se todos fossem iguais a você”, “O barquinho”, “Pra machucar meu
coração”, “Vera Cruz”, “Nós e o mar”, “Mascarada” — e composições próprias, de Paulo Rego (sax),
Gustavo Schnaider (bateria), Xandy Rocha (baixo) e Roberto Alves (piano). À exceção da inclusão do
grupo no livro de Ruy Castro ‘Rio Bossa Nova’, não se tem conhecimento de uma publicação, um
folheto que indique uma caminhada pelo calçadão de Ipanema, nas manhãs de domingo, para, a um
só tempo, tomar uma água de coco, ou chope, ouvir uma boa música e avizinhar-se do mar. Afinal,
No Olho da Rua está ao alcance de todos, de portas abertas e repertório pleno. E sem exigência de traje.”
Jorge Roberto Martins – Escritor, Produtor e Radialista.
"Volto ao Rio, que por enquanto "belvedere" me dá descanso. hoje enquanto flanava pela praia, decorando uns textos com Beatriz, para o próximo bia & cia, encontrei esses desbravadores, essa inverossímel banda, nas areias de Ipanema. é o 'No Olho da Rua" e toca uma excelente música instrumental. tudo a ver com a hora e o lugar. Na verdade, podia ser também um fim de tarde durante a semana mas domingo tem mais turista e eles põem seus quatro ou cinco cds para vender. Eles podiam servir de exemplo para muito músico ou banda que só quer tocar em espaços já trilhados."
Chacal – Escritor e Poeta
O álbum Ele é Carioca é uma declaração de amor ao Rio, do início ao fim e é uma surpresa para mim em muitos aspectos. O disco é muito bacana, não tem aquele compromisso da rigidez e nem poderia ter se a música que eles fazem é recheada de elementos tão estimuladores como o próprio lugar onde costumam tocar, que é a praia. E não é qualquer praia, diga-se de passagem, é simplesmente Ipanema. O repertório que fazem e a união de outros elementos à sua música, como jazz e o samba jazz, tudo isso contribuiu para que este álbum tivesse um frescor, um ar de leveza e de alegria que há muito não ouvia. Adorei.
Ava Araújo – Produtora e Cantora
Todos os dias, meu pai ao sentar-se ao piano o dedilhava só
pelo prazer de sentir os sons que lhe vinham da alma, que
se harmonizavam e resultavam em melodias. Este mesmo prazer
vejo nestes rapazes, que me encantam aos domingos na Praia
de Ipanema. Sombra e Luz, que é inédita, terá um lindo caminho
interpretada pela qualidade deste conjunto.
Mariúza Barroso - Filha de Ary Barroso Por amor a música pessoas como vocês (Paulo, Fernando, Theomar e Roberto) fazem a arte continuar sempre e sempre. Estão de parabéns mesmo ! Idriss Boudrioua - Saxofonista e professor Talvez seja mais adequado classificar esse grupo "No Olho da Rua" como um grupo filantrópico-musical. Ou não é filantropia, nos dias de hoje, proporcionar ao público um pouco de cultura inteiramente grátis ? Principalmente com o nosso mercado fonográfico dominado pelo comercialismo selvagem opressor da autenticidade, pelo chavão, pela falta de imaginação e por uma quase total colonização, iniciativas como a do "No Olho da Rua" devem ser no mínimo louvadas. Jucelino - Amigo e fã do "No Olho da Rua" |